Planejada pela arquiteta Otta Albernaz.

Pensada como um refúgio contemporâneo, a Casa Serena traduz leveza, introspecção e conexão com o entorno. Assinado pelo escritório Otta Albernaz, o projeto privilegia a fluidez espacial e o uso preciso da luz natural, que desenha o percurso da casa e revela seus volumes com delicadeza. “A residência foi concebida para valorizar o equilíbrio entre cheios e vazios, luz e sombra. A cada passo, novas camadas sensoriais se revelam”, explica a arquiteta Tatiana Otta.
Com grandes vãos e integração visual com o paisagismo, a arquitetura dissolve as fronteiras entre interior e exterior. A paisagem se torna parte da experiência cotidiana, emoldurada pelas aberturas que convidam à contemplação e à desaceleração. O ritmo silencioso da casa é reforçado pela escolha criteriosa de materiais, texturas e acabamentos, que seguem uma estética pautada pela naturalidade, pelo aconchego e pelo essencial.


A marcenaria planejada teve papel central nesse conceito. Executada pela Costa Flores, foi desenvolvida para se integrar com precisão à arquitetura, respeitando alinhamentos, volumes e intenções formais. “Mais do que funcional, o mobiliário precisava reforçar a leitura volumétrica da casa e atuar como continuidade dos elementos construtivos”, afirma Tatiana. Cada peça foi desenhada sob medida, com soluções técnicas discretas que ampliam a sensação de ordem e fluidez, tornando-se parte indissociável do conjunto arquitetônico.
No hall de entrada, painéis em madeira freijó ocultam portas de serviço, preservando a linearidade e garantindo continuidade visual. A escolha da madeira, com seu tom caloroso, acolhe moradores e visitantes desde o primeiro momento. Na área gourmet, um cubo branco delimita sutilmente o home theater, enquanto um ripado espaçado em MDF branco adiciona textura e ritmo sem comprometer a leveza. O gesto simples carrega sofisticação e revela a atenção aos detalhes que permeiam toda a residência.

Para Tatiana, o maior desafio foi traduzir em soluções construtivas a sensibilidade que o projeto pedia. “O trabalho da marcenaria exigiu precisão técnica e sensibilidade estética. Cada execução manteve a linguagem que imaginamos desde o início, respeitando prazos e alcançando o nível de acabamento que buscávamos”. O resultado é um mobiliário que se funde aos ambientes, atuando como parte da estrutura e não como elemento agregado.




Na Casa Serena, cada espaço é revelado em camadas: acolhe, surpreende e conduz. Ao articular luz, matéria e silêncio, o projeto alcança um equilíbrio raro, onde tudo parece fluir com naturalidade. A marcenaria, nesse contexto, deixa de ser mero complemento e assume papel protagonista na construção da experiência cotidiana, uma arquitetura que não se impõe, mas se oferece, permitindo que a vida aconteça com serenidade.